terça-feira, 29 de novembro de 2011

"Movimento excêntrico, sobre o trabalho de Isabel Padrão" valter hugo mãe




Movimento excêntrico, sobre o trabalho de Isabel Padrão
Valter Hugo Mãe

Há uma componente de aprisionamento na pintura de Isabel Padrão, uma certa ideia de gradeamento que se apõe à liberdade explosiva que não aceita submeter-se. Sugere-me um caos que algo procura confinar, já de todo impossível, mas que se estende como contaminando tudo. Chegamos a ver as estruturas geométricas igual fossem engenhos sofisticados para regrar o espaço, mas percebemos como vogam, ao invés de se encrostarem e efectivamente aprisionarem.
O tópico da contaminação pode ser o modo mais preciso para se pensar sobre muitas peças de Isabel Padrão. A profusão de formas e cores não é descontrolada, mas parece fazer a decomposição da imagem, como uma imagem improvável que apenas a aleatoriedade pode proporcionar. Aqui radica o efeito caótico que prevalece, por mais que estejamos sempre perante a exploração do padrão e de certa tentativa de uniformização de texturas que se interrompem umas às outras.
Nada parece puro, nada se expõe de maneira intocada. Cada elemento é ferido de algum modo, postergado, rasurado, rebaixado perante outra qualquer solicitação de forma e cor que invariavelmente se impõe. A contaminação de que Isabel Padrão é capaz propende para um infinito, e a tela mostra apenas uma espécie de versão razoável desse infinito. Como se a artista doseasse em cada trabalho a quantidade de informação em excesso que, afinal, tem o seu próprio equilíbrio. Toda a contaminação significa excesso e caos, neste caso, importante, há uma medida que faz como que regressar a imagem de um certo sentido explosivo dotada de uma beleza exuberante.
Podemos dizer que a prisão explode e que, no movimento excêntrico, estruturas, utilitários e decorações se dispersam diante dos nossos olhos numa quase euforia.
Por outro lado, o trabalho de Isabel Padrão está no seu esplendor botânico, diria que a mesclar o claramente orgânico e sinuoso com o geométrico, calculado, impossível de encontrar na natureza. Será para referenciar simultaneamente o que é dado e o que é conquistado, como natureza e engenho, ferindo tudo de uma perspectiva irónica que tanto leva o jogo ao decorativo como o torna labiríntico e profuso em significados.
Os labirintos em que resultam todas as peças são alcançados por justaposição, o que acarreta uma delicada manobra de perspectivas (por vezes quase em jeito arquitectónico, como edifícios insinuados) e uma ideia de tridimensionalidade que se assaca de uma imagem que é, acima de tudo, gráfica. É curioso que assim seja, porque o modo gráfico em que tudo está feito retira-lhe muita da potencial volumetria e leva constantemente o quadro ao domínio do desenho, mas não deixa de sugerir profundidade, precipício até, o que envolve o olhar num excepcional complexo de afirmações e negações.
A pintura de Isabel Padrão é destemida. Digo assim porque me interessa sempre o seu lado exuberante, provocador, que entre plantas e estruturas metálicas consegue ter muitas aproximações despudoradas, como exactamente ao sexo ou à religião, no caso desta exposição.
Para Isabel Padrão tudo é pop e tudo serve para discurso. Se a sua pintura fosse voz, seria ininterrupta, em alto volume, contundente. É magnífica. A pintura da Isabel Padrão é magnífica e traduz fielmente o multicolorido, benigno e maligno, da vida contemporânea.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Inauguração da exposição "visto-me por dentro" - Fundação Amiarte - Porto

"visto-me por dentro"
Inauguração da minha exposição individual: Sexta-feira, dia 11 de Novembro, 21h30m (até às 23h30)
A exposição estará patente até 10 de Dezembro de 2011




Título: "não se deve aguentar"
Ano: 2011
Técnica: Acrílico sobre tela
Dimensões: 81 X 61 cm


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Fundação Amiarte
Rua da Lomba nº 153 / 159
4300-301 Porto, Portugal

amiarte@ami.org.pt
telefone: 225 100 701

ENTRADA LIVRE
Terça a sábado das 15h às 20h