sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"LP" - Exposição Coletiva - sput&nik thewindow, Porto

"LP"
Inauguração: Sexta 30 de Novembro às 21h 30m na sput&nik thewindow
Até 5 de Janeiro de 2013

O meu "LP"

Título: "para sempre"
Ano: 2012
Técnica mista sobre cartão
Dimensões: 31 X 30,5 cm


A exposição será uma mostra de obras de arte de artistas de vários países.
Artistas Plásticos, Fotógrafos, designers, ilustradores irão mostrar o seu trabalho num único formato.
Pegando numa ideia não original, dado que outras galerias já o fizeram com outras denominações e outras formas de apresentação, propomos a cada artista apresentar uma obra de arte original de 31x 31cm concebida exclusivamente para a exposição.



As capas de vinil de 33rpm foram um dos formatos gráficos mais comuns em todo o mundo, interessa ao sput&nikthewindow, a iconografia, medidas e formato das capas dos discos de vinil sem estar particularmente interessado na sua relação com a música.


Artistas Intervenientes

Pedro Serrazina, All Brain, Sofia Ponte, David Penela, Manuel Santos Maia, Ana Efe, Esgar Acelerado, 
Isabel Padrão, Bernhard Kreuzer, Patricia Geraldes, Cláudia (Rocha) Lopes, Krups Gruber, Albrecht Kreuzer, André Silva, Rui Sousa, Dalila Gonçalves, Ana Neves, Marcel Saint-Pierre, Ana Maria, Leonel Cunha, Andreas Berger, Ana Luisa Von Hafe, Rosa Feijão, André Alves, Ricardo Macedo, Ana Cardoso, 
Pedro Emanuel Santos, Paula Roush, Maria Lusitano, Mary Yacoob, Anna Schmoll, Katharina Zauner, 
Ana Pais Oliveira, Antoaneta Galabova, Hugo Paquete.


Morada:
sput&nik thewindow
Praça Marquês do Pombal, 169
4000-390 Porto

Telf: 919 010 716
e-mail: sputenik169@gmail.com

Horário:
Quinta-feira a Sábado das 17h30m às 20h30 (por marcação)


Fotografias da exposição "Paisagem escondida" - Galeria Artes Solar Sto. António - Porto














sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"Isabel Padrão: Um Percurso em Veneza, O Doge" Jorge Velhote



Isabel Padrão: Um Percurso em Veneza, O Doge


É lacunar e floresce e na noite obscura, da sombra mais impura, regressa como paisagem antiga, repentinamente ofegante e fragmentária como se apagasse o tempo ou cavalo de recordações imaginadas.

Uma dor assim em ritmo compassado como se de um abrigo movesse a aragem, amarrotam-se lenços, descobrem-se esquecidos brinquedos, brisas que despenteiam cabelos e quando a noite vem tudo é mais nítido como os pés mergulhados nas ondas frias.

Há uma ausência consentida. Um vislumbre de sol e poeira que rasga nas janelas alvéolos trepidantes ou chaves para um universo de silêncios e repetições. Na sua nitidez a mulher está viva, introduz nos caminhos o roçagar antigo da erva alta. A claridade surpreendente que entre ramos os desenha e oculta se os olhamos muito de frente ou apenas num vislumbre tecemos a sua melodia.

Ela escuta esse momento. Dorme sobre o seu lado esquerdo. Esboça com as sombras instrumentos para a melancolia, simples linhas escuras que são objectos imperdíveis onde circula o sangue ou o oxigénio. Histórias longas como tristezas ou bichos que se alimentam de sentimentos e visões. A barbaridade é um lugar de lentidão e desejo acelerado. Um piano regado a músculos e contenção, água jubilosa e raízes comprimidas debaixo da língua.

Como se estivéssemos ausentes regressamos todos por essa rota de luz. Incandescentes e perdidos, rendidos às sombras mais negras, à razão primitiva da salvação, como tambores ou eco de labaredas incorruptas. Mínimos diante das máscaras difusas, matéria e energia fulgindo em desassossego, brusquidão acutilante e bela, sopro apenas delicado. Ela busca na sua mão a montanha mais funda do mar. Ressuscita o seu coração e a beleza dos pulmões. A textualidade rigorosa da morte e a cavidade onde se aloja o amor como um cinzel de lume. Rasga com os dentes a alvura da pele, a caligrafia do silêncio mais puro, as cartas longínquas que demandaram lugares ignorados, cânticos oblíquos que entornam as manhãs, alamedas incrustadas de panos onde o orvalho infesta, corpos nus como árvores descobertas, pedras onde a noite deixa o seu regaço, incumbências amargas como cerimónias perdidas, vozes
que clamam ressuscitação, selos que balouçam como tempestades, um deles é a chave do novelo onde morrem peixes e sonhos e a santidade é uma caverna de ossos cercada de carne por todos os lados, uma gruta de palavras como chuva sereníssima, um segredo adormecido desfolhando milagres, clorofila, o bulício efémero dos jardins, o aroma das palavras que respira, a criança que se dobra para agarrar a nuvem azul que voa no seu olhar, o martelo de Rilke e o seu anjo invisível, fragmentos que o seu olhar alcança e penetra como no horizonte a copa das árvores.

Ela arde simplesmente. Como se o desespero fosse da sua idade ou apenas nómada entre indiscretos lugares. Como se a morte um parêntesis despojado de segredos sem sentido. Uma lágrima ou nervura desgastada em folha seca. Arde como as aves na alegria do seu canto raríssimo. Ergue entre sombra e penumbra uma luz que se oculta entre as linhas da mão como presságios ou andorinhas. Ergue uma ponte de palavras e sevícias que escorrem na garganta e seduzem o fogo das rosas.

Ela tange um comércio de vidros feridos por mordeduras de bichos e ironias surpreendentes. Não há, nesse lugar, percutido senão a queda de um olhar comunicável. Uma voz feminina como um lençol resguardando a intimidade. O lugar onde arde a fúria que se revela no silêncio e na falésia que repousa diluente nos seus dedos.

Ela escreve agora uma carta iluminada de poeira e odores. E com os olhos fechados prepara-se para abrir uma gaveta, está nas trevas, o bálsamo da melancolia debaixo dos dedos busca o papel e os fluídos transeuntes entre todos os corpos e a luz destinam o texto a escurecer de negrume: eu vi, na noite a crina do cavalo, nas ruas o repentino movimento incolor das árvores, o lixo arborescer, as feridas inextinguíveis, a inquietude dos objectos insonoros, os recados da ausência rufando, o demasiado espaço do silêncio, as palavras como baleias, os rostos como rendas invisíveis, o horto da tristeza na trepidação dos espelhos, o órfão sussurrando confidências como um fotógrafo, eu vi o medo, a melodia que penetra e abre uma gota de sangue.

E nesse instante eu estava lá.

Jorge Velhote

2012

domingo, 4 de novembro de 2012

Inauguração da exposição "Paisagem escondida" - Galeria Artes Solar Sto. António - Porto

"Paisagem escondida"
Inauguração da minha exposição individual: Sábado, dia 10 de Novembro às 16h até às 20h
A exposição estará patente até 8 de Dezembro de 2012

Título: "completamente perdido"
Ano: 2012
Técnica: Acrílico sobre tela
Dimensões: 50 X 50 cm



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Galeria Artes Solar Sto. António
Rua do Rosário, 84
4050-520 Porto
Tel./Fax.: 22 201 30 09
Email: geral.artes@gmail.com

Entrada Livre
Terça a Sexta - 10h30 às 14h - 15h00 às 19h30
Sábado - 11h30 às 13h00 - 14h00 às 20h00
Encerra aos Domingos e Segundas